As drogas sempre caminharam juntas com a música e as festas. Diversos cantores famosos trazem na letra de suas canções suas experiências com o consumo e até descrevem sensações de como agem as toxinas em seus corpos. Compositores americanos e ingleses têm um tom mais dramático e sombrio sobre o tema. Já os brasileiros preferem o escracho. Exemplos de músicas que misturam drogas e emoções não faltam seja no samba, no funk carioca, na batida hip-hop do Bronxs ou no punk Londrino. Os estilos musicais variam, atraem gente de diferentes origens sociais, valores e padrões de consumo.
As letras e o tipo de música podem induzir o indivíduo ao uso de substâncias psicoativas desde que a pessoa tenha uma pré-disposição ao consumo. A droga desenvolve um estado de euforia nas pessoas e abre um espaço para que ela faça coisas que antes não fazia. Atualmente, é difícil encontrar um usuário que consuma apenas um único tipo de substância, ou seja, o policonsumo é cada vez mais comum’. Via de regra, a porta de entrada para o vício é o álcool e o tabaco, depois segue-se para a maconha, a cocaína e, então, o crack. Fazem parte da natureza dos jovens a imprudência e o desejo de experimentar novas sensações. Resultado frequente da combinação desses fatores, o uso de drogas, sobretudo nas baladas ou “nights”, tornou-se prática tão comum que a maioria das casas noturnas faz vista grossa para elas. Só que agora a imprudência e a vontade de experimentar sensações desconhecidas vêm conduzindo os frequentadores de clubes e raves a um comportamento de duplo risco: além de usarem nas pistas substâncias ilegais de todo tipo, muitos passaram a misturá-las com um coquetel de drogas farmacêuticas de acesso fácil e efeitos, algumas vezes, devastadores. Anestésicos de uso veterinário, remédios para impotência e até medicamentos para tratamento de aids ingressam facilmente nos clubes para ser consumidos com cocaína e comprimidos de ecstasy. Muitos usuários acreditam que, por se tratar de substâncias legais e manipuladas em laboratórios farmacêuticos, elas são mais seguras Nada mais falso – em especial, quando combinadas a outras. Nos Estados Unidos, o uso “recreativo” de analgésicos – ingeridos sozinhos ou misturados a outras drogas – já é a causa de 40% das 22 400 mortes anuais provocadas por overdose.